Sincera é uma palavra doce e confiável. Sincera é uma palavra que acolhe. Esta palavra deveria estar no vocabulário de toda a alma.
Sincera foi uma palavra inventada pelos romanos. Vem do velho, velhíssimo latim…
Eis a poética viagem da palavra sincera de Roma até os nossos tempos:
Os romanos fabricavam certos vasos de uma cera especial. Essa cera, às vezes, era tão pura e perfeita que os vasos se tornavam transparentes. Para o vaso assim fino e límpido, o romano dizia, vaidoso:
- Como é lindo…parece até que não tem cera!
“sine- cera” queria dizer: “sem cera”, uma qualidade de vaso perfeito, finíssimo, delicado, que deixava ver através de suas paredes.
Segundo Malba Taham,
“Sincero é aquele que é franco, leal, verdadeiro, que não usa disfarces, malícias ou dissimulações. O sincero, à semelhança do vaso, deixa ver, através de suas palavras, os nobres sentimentos do seu coração.”
Eu acrescentaria ao texto de Malba Taham o seguinte:
Sincero é aquele que deixa ver, através dos seus atos, os nobres sentimentos do seu coração. Para mim, sinceridade é uma questão de atitude, como tudo mais na vida.
Mas, será que alguém consegue ser 100% sincero? Você consegue? Quem consegue? Vivi por muitos anos um grande dilema, que desconfio não ser privilégio meu: ser 100% sincera e arriscar perder o amor das pessoas ou viver entalada por não ter coragem de expressar o que sinto?
Ao longo dos anos, acabei vivendo muito das duas opções. Perdi várias amizades (se é que eram mesmo…) das vezes que arrisquei ser 100% sincera. Da mesma forma, que já sofri muito todas as vezes que sufoquei a verdade dentro de mim. Nossa! Existe coisa pior do que você não conseguir expressar o que sente e, ainda ter de esconder…escamotear…? É dureza…
Mas, a recompensadora sabedoria, trazida pela mestra experiência, tem me ajudando a começar a trilhar o que eu chamo de “o caminho do meio”, depois de muitíssimos trancos e barrancos. O que seria este tal caminho do meio?
Bem, ficar entalada não dá. Faz muito mal. Mas, para se dizer a verdade é preciso usar de sabedoria. Muita sabedoria. Em primeiro lugar, examinar a real necessidade de expressar esta ou aquela verdade. Cheguei à conclusão que às vezes não vale a pena, pra ninguém. Mas, se fôr absolutamente necessário, que se faça com o coração, sem ficar numa posição de ataque nem de defesa. Fácil não é, mas nada como a própria vida para ensinar as coisas pra gente.
Tem um livro, pequeninnho, mas poderosíssimo, que trata magistralmente dessa coisa importante que é o falar, o que falar, pra quem falar e, principalmente como falar. O título em inglês é: The Four Agreements. Vale a pena conferir, pessoal!
Vou ficando por aqui, desejando SINCERAMENTE tudo de bom pra todo mundo!
beijos no coração



