
Já estava passando da hora de inaugurar o espaço ENTREVISTAS do eclético zen. Quero entrevistar pessoas que sejam motivo de inspiração pra todos nós. Não precisei pensar muito para escolher o meu primeiro entrevistado: nada mais nada menos que o queridíssimo multitalento Julinho Mazzei.
Tive que batalhar um pouco para conseguir isto. O cara é low profile. Não gosta muito de ficar na berlinda. Marquei num dos seus restaurantes preferidos na Cidade Mágica: o Matsuri, em Coral Gables. Comida japonesa da melhor qualidade. Depois de fisgar o primeiro pedaço do seu sushi predileto, o rock and roll (não poderia ser outro!), uma das deliciosas especialidades do chef Masa, o locutor que revolucionou a FM, concordou em me conceder o privilégio desta entrevista.
Nanda: Julinho, você é uma pessoa de múltiplos talentos, já realizou trabalhos incríveis em diferentes mídias, mas a sua conexão com o rádio é, digamos, a mais marcante na sua vida, não é?
Julinho: Sem dúvida.
Nanda: E como foi que o rádio aconteceu na sua vida?
Julinho: Na verdade eu comecei em 1972, em Santos, na Rádio Clube de Santos, AM, que era do Pelé. O meu pai tinha começado a trabalhar com o Pelé, que me deixou trabalhar lá.
Nanda: Você vem a ser filho do grande Professor Mazzei, técnico e mentor do Pelé, não é? Qual era a formação do seu pai e como era a relação dele com o Pelé?
Julinho: O meu pai é Phd em educação física e, foi, além de técnico do Pelé, seu mentor, amigo e segundo pai.
Nanda: Você fala do seu pai com tanto respeito e admiração que dá para se perceber que ele é um homem muito preparado profissionalmente, assim como um ser humano de primeiríssima qualidade.
Julinho: É verdade. Eu me sinto privilegiado por ter os pais que tenho. Afinal, a gente não escolhe os pais, não é mesmo? E os meus me deram tudo que alguém poderia sonhar. Tudo mesmo! Além disto, os meus pais me influenciaram musicalmente também. Eu cresci com o meu pai ouvindo as Big Bands e, a minha mãe a Doris Day.
Nanda: Você se considera então nascido em berço de ouro?
Julinho: Eu me considero sim. Só que este ouro se traduz no sentido de riqueza de respeito pela vida, pelas pessoas…riqueza no sentido de dar valor aos sentimentos humanos, aos valores primordiais, sabe?
Nanda: Bacana! Conta mais sobre os seus pais. Como foi que eles influenciaram esta sua trajetória?
Julinho: Os meus pais casaram no Brasil e, no dia seguinte foram para Lansing, no Michigan, para estudar na Michigan State University. Depois de alguns anos, resolveram voltar para o Brasil. Quando chegaram ao Brasil, minha mãe já estava grávida de mim. Eu me sinto assim meio gringo às vezes (risos). Deve ser por isso, né? (risos). Bem, aí, em 1975 o Pelé convidou o meu pai para trabalhar com ele no Cosmos. Aí voltamos todos pra cá.
Nanda: Foi destino mesmo, então. Mas, e aí?
Julinho: Bem, assim que nós chegamos a Nova York, fomos morar num hotel em frente ao Central Park. Eu assistia a consertos inacreditáveis com todos aqueles monstros sagrados, como James Brown, Genesis, Aretha Franklin…só gente da pesada… O Cosmos era da Warner. Como o meu pai trabalhava com o Pelé, ele ganhava ingressos para os shows mais sensacionais que aconteciam no Madison Square Garden. Era tudo muito mágico! Parecia que eu estava em outro planeta, sabe?
Nanda: Então, tudo isto serviu de inspiração para você fazer o programa de rádio para o público brasileiro? O que fez você querer fazer um programa de rádio pra galera brasileira?
Julinho: Sim, tudo aquilo parecia um sonho. Estar, viver em Nova York era um sonho naquela época. Era como se fosse morar em Marte hoje em dia. Ainda mais vivenciando todos aqueles shows, num período de ouro da música…Além disso, a Warner tinha um estúdio de gravações e, logo logo o meu pai arranjou para eu ir trabalhar lá, como assistente de produção. Aquele era o estúdio onde gravavam personagens como Roberta Flack, os Rolling Stones. O Luther Vandross deu os primeiros passos da sua carreira naquele mesmo estúdio… e, eu testemunhei tudo aquilo… Você pode imaginar? Então, eu quis mostrar para o pessoal no Brasil tudo o que ouvia, via e sentia. Eu fazia gravações semanais e mandava pelo malote da Varig.
Nanda: Como era o nome do show?
Julinho: Big Apple Show. Big Apple para fazer alusão à Nova York, a Big Apple.
Nanda: Você fez o show em algumas emissoras antes de estourar na Jovem Pam, não foi? Como foi isto?
Julinho: É. Eu comecei na Rádio Difusora, em 1977. Quando a Transamérica entrou na jogada, o show já tinha ganho repercussão nacional. A Antena 1 entrou também, mas a coisa pegou fogo mesmo quando o show chegou na Jovem Pam de São Paulo.
Nanda: E a que você atribui tamanho sucesso? Sim, Julinho, porque até hoje este show é comentado, não é?
Julinho: Olha, deu certo, porque era uma coisa que não existia, tanto pela informação, quanto pelo estilo. Era uma coisa diferente, realmente marcou muito. E, eu sei que marcou a vida de muitas pessoas, de forma positiva, porque hoje já existe, inclusive, uma segunda geração que gosta do show, que coleciona e regrava as músicas a partir dos arquivos dos seus pais…(risos)
Nanda: Incrível, Julinho! O Big Apple Show transcendeu o tempo e, hoje em dia está despertando o interesse de uma galera mais jovem. Você está encantando agora os filhos dos pais que já haviam vibrado com o seu show tempos atrás. Você deve se sentir realizado, não?
Julinho: Eu me sinto sim…mas antes de qualquer coisa, eu me sinto muito agradecido por tudo o que eu fiz, por tudo o que eu tenho. Eu sou um cara de muita sorte.
Nanda: Você é uma destas pessoas que tem um entusiasmo nato, uma alegria contagiante, um brilho diferente nos olhos. Você tem muita luz, Julinho! Você se considera um sujeito conectado?
Julinho: Olha…eu me sinto consciente… é isso aí: eu me considero consciente e sou agradecido por tudo isso.
Nanda: Julinho, além de um locutor extraordinário, você é um produtor, editor, fotógrafo e escritor do maior talento.
Julinho: Escritor?
Nanda: É sim senhor. Você escreve com a alma, Julinho. Um dos últimos textos que você escreveu, A Janela, é de uma beleza e de uma profundidade incríveis. O seu estilo como fotógrafo é literal e de muito bom gosto. Você tem fotos com composições muito bonitas.
Nanda: Mais de tudo isto, o quê que você mais gosta de fazer?
Julinho: (sem pestanejar) Música! Mostrar, produzir, criar coisa novas. Música é o meu veículo de comunicação. É o que mais gosto de fazer.
Nanda: E como você consegue manter esta serenidade diante da doença do Professor Mazzei? Deve ser muito difícil pra você…
Julinho: Por um lado é muito difícl sim. Mas, por outro, a doença do meu pai serviu de alerta pra mim.
Nanda: Alerta? Como assim?
Julinho: Alerta no sentido da gente viver a vida com dignidade e intensamente no momento presente. O passado ficou para trás e o futuro ainda não chegou. Em vez de ficar na zona de conforto, enfrentar a vida com coragem e alegria. Alegria de viver cada momento como se fosse um presente. Quer dizer, a gente não deve substimar a vida e sim agradecer e viver cada momento com tudo aquilo que cada momento oferece.
Nanda: Então, é esta a sua receita de vida?
Julinho: Receita de vida? (risos) É! A minha receita é que a gente se dê permissão de olhar pela janela. Há muitas chances de descobrirmos um céu de um azul muito bonito, que jamais teríamos como admirar e curtir se, por pura acomodação, nos abandonássemos no banquinho do corredor… (mais risos)
Julinho Mazzei é uma destas pessoas que transforma em sucesso tudo o que faz. Já realizou trabalhos importantes em diferentes áreas. Particularmente acho que isto acontece, em primeiro lugar, porque faz tudo com o coração. O restante é talento. Nato! Antes de qualquer coisa, o Julinho é um grande comunicador. Um mestre da comunicação. Dono de uma das almas mais nobres que o sol já cobriu, ele se comunica com sentimento, seja qual fôr a mídia. Sua missão: tocar as pessoas de uma forma construtiva, passar uma mensagem positiva, seja através da criação, produção e locução de um programa de rádio revolucionário, seja distribuindo o seu sorriso largo e generoso, sua marca registrada, para quem tiver a sorte de atravessar o seu caminho.Como se não bastasse, o Julinho é um cara simples, o que é sensacional. Pra mim, simplicidade é chique. Ele é de uma elegância só, diga-se de passagem. Em muitos aspectos. Presta atenção e dá valor aos pequenos detalhes do dia-a-dia, que fazem a grande diferença na vida… Sem dúvida alguma, uma jóia rara. Raríssima…!
Que maravilha ter podido te entrevistar, Julinho.
Muitíssimo obrigada!
Valeu, cara! Você é realmente TUDO DE BOM!
O blog do Julinho é fora de série. Foi ele, aliás, que montou toda a estrutura deste meu bloguito michuruca. Ele é o padrinho do meu blog! Se quiserem se deliciar com suas publicações cheias de encanto e poesia, o link é o seguinte: http://julinhomazzei.wordpress.com
O link do seu extraordinário texto, A Janela é o seguinte: http://julinhomazzei.wordpress.com/2007/05/page/2/
Aqui está um dos mixes do Julinho pra gente dançar e curtir:
Julinho Mazzei – Midnight Fiesta (Miami Mix)