O blog da Nanda

um espaço eclético zen

As origens de uma das formas mais sofisticadas de expressão musical

Posted by Nanda on November 2, 2006

Louis Armstrong e Billie Holiday 

Como já havia escrito antes, esse blog não é só meu. É de todos vocês. É nosso! Com essa publicação, começo com a série de textos escritos por colaboradores, meus ilustres convidados, pessoas maravilhosas por quem tenho grande admiração como artistas, pensadores e seres humanos da melhor qualidade. Esse texto foi escrito pelo Edu, músico, psicólogo, escritor, pensador…e por aí vai…

Deliciem-se!!!   

Do Jazz

by Edu

Dizem as boas línguas e as boas penas que para se entender o que é jazz é preciso ir à origem da palavra.. Jazz é uma palavra de origem africana e significa uma cópula. Não é, entretanto,  uma cópula qualquer, mas uma cópula requintada, cheia de sacanagens, daquelas que a gente nunca se esquece. Durante da Guerra de Secessão alguns instrumentos das bandas militares foram deixados pelo caminho e recolhidos pelos escravos que, quando libertados depois da guerra, começaram a tocar as músicas tradicionais estadunidenses de um jeito próprio, muito particular. Os que ouviam diziam, fazendo uma analogia a tal cópula requintada: “ei, cara, você está fazendo um jazz com a música. Mas ficou ótimo”. Mas essa não é a única influência. Os africanos, seqüestrados e escravizados, trouxeram a saudade – o banzo era uma doença comum e mortal – as religiões e cultos a vários deuses de sua terra. Como não podiam expressar seus cultos religiosos abertamente, pois a religião única e oficial era a dos seus senhores brancos, só lhes restaram lançar mão das danças e ritmos natais. O sofrimento e a miséria contribuíram para que entoassem músicas de lamentação, o blues, e dessas misturas, a polirritmia africana, a tristeza expressada nas ditas blue notes, as novas harmonias, surgiu o jazz. Que nunca parou de evoluir. O jazz, portanto, é a única forma de expressão artística genuinamente estadunidense e não se restringe a um único tipo de ritmo ou tipo de música. Querem alguns exemplos? Swingle Singers e Jacques Loussier fizeram jazz do barroco; Pixinguinha fez jazz do choro, João Gilberto faz jazz do samba; e alguns, como Miles Davis, Charlie Parker, Dexter Gordon, John Coltrane, Bud Powell, fizeram jazz de tudo, até do próprio estilo de vida.Como o novo deus do sistema neoliberal se chama Lucro, alguns dos melhores expoentes do jazz, aqueles que não se assujeitaram à máquina das gravadoras, de lucro a qualquer preço, tiveram que deixar os EUA para tentar sobreviver da sua arte na Europa. Uns voltaram, outros ficaram por lá, além daqueles não se sentiam mais à vontade em lugar nenhum e morreram pelo meio do caminho. Os filmes “Round Midnight” de Bertrand Tavernier, “Bird” de Clint Eastwood e um documentário chamado “Jazz in Exile” de Chuck France retratam este sentimento com muita fidelidade. Mas hoje há excelentes festivais de jazz espalhados pelo mundo todo e dois dos melhores acontecem no Brasil, um em Rio das Ostras, RJ (gratuito) e outro em Ouro Preto, MG.

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